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sexta-feira, 27 de março de 2015

Eu não estou em cima do muro!

Eu sou bissexual, odeio me rotular, geralmente falo que gosto de pessoas, mas esse rótulo existe e é o que eu sou. Acredito que a maioria das pessoas que me conhecem e que estão próximas a mim sabe da minha orientação, mas acredito que quase ninguém sabe do que foi para mim quando eu descobri que eu gostava de meninos e meninas. Confesso que foi um tanto turbulento, foi algo que eu não esperava que acontecesse isso comigo e eu não falo isso como se fosse um peso, para mim não é e sou feliz assim. Quando eu achei que eu fosse lésbica, aceitei isso numa boa, levantei bandeira e fui ser feliz, sem preconceito próprio, afinal, nunca achei que ser gay fosse algo errado.

Namorei meninas (e quem acompanha meu blog - ainda - sabe desse detalhe) e depois me apaixonei por um cara que se tornou meu namorado (hoje ex), mas até ele se tornar meu namorado foi algo difícil, eu não queria aceitar, não queria que isso acontecesse, eu era lésbica, poxa, como eu fui me apaixonar por um cara se o que eu gosto é mulher? Isso ficou perdido na minha cabeça, eu pensava: vai passar! Mas não passou, a cada dia eu gostava mais dele, ou seja, não passou e eu decidi me aceitar, claro que não foi de um dia pro outro, eu não queria contar para as minhas amigas lésbicas que estava apaixonada por um homem e muito menos falar que o sexo era muito bom (risos). Até que um dia eu falei: CHEGA! Eu sou assim e não posso e não consigo mais "esconder" um namoro hétero (olha o mundo em que vivemos, "esconder" um namoro hétero).

Eu sofri e ainda sofro preconceito com isso, pessoas já me falaram que isso não existia, que bissexuais só querem curtir, fazer menagé, ficar com o maior número de pessoas possível, que não namorariam pessoas bi porque poderiam ser traídas (os), fora os homens quando "descobrem" que você é bi que já fala: não tem nenhuma amiguinha pra ficar com nós dois? Eu, Flor, não é porque eu sou bi que eu quero estar com duas pessoas ao mesmo tempo. Menagé é bom, mas não é por isso que eu vou ter duas pessoas na minha cama sempre que eu vou transar. Não é porque eu sou bi que eu vou trair alguém com o sexo oposto. Não é porque eu sou bi que eu tenho mais chances de não ficar sozinha.

Eu tive sorte com os meus relacionamentos passados (depois que me aceite e me assumi bissexual), não tinha esse papo de que eu ficaria com alguém por eu ter a minha orientação, mas já ouvi de um ex: nunca mais você vai ficar com uma mulher depois de mim. Eu só fiz rir, afinal, não é o sexo apenas que me atrai e sim a pessoa, o contexto, tudo. Primeiramente, eu gosto da pessoa, depois eu me preocupo se é homem ou mulher! Acredito que seja difícil para as pessoas entenderem os bissexuais, é difícil compreender que gostamos de pessoas, ou gostamos de homens e mulheres, e tudo isso, estou falando de mim, não estou generalizando que todos são iguais a mim, claro que existem pessoas que só querem curtir e fazer tudo o que eu falei acima.

Eu gosto do cheiro feminino, do beijo de mulher, de seios, de bunda, de boceta, do sexo! E também gosto de barba, da barba roçando no meu pescoço, de um peito másculo, do sexo com homens. Gosto de tudo isso e gosto de ser assim, é difícil, sofremos preconceito também, também estamos entre as minorias, também estamos na classe LGBTT. Não escrevo isso como um sofrimento, mas como um desabafo, principalmente por nunca ter escrito isso no meu blog, por nunca ter falado isso publicamente a não ser com meus amigos na mesa do bar quando me perguntam o que eu gosto mais, sendo que não sei a resposta não sei porque eu gosto de pessoas e pessoas são pessoas.

Essa semana teve o dia do orgulho gay, eu tenho orgulho do que eu sou, eu sou feliz, eu não estou em cima do muro! Eu desejo força a todos aqueles que sofrem todos os dias por aceitar-se, por não esconder quem és, desejo força a todos nós que a cada dia que passa conseguimos uma ponta de algo que lutamos.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Quanto vale?


Pensei em vários começos para escrever esse texto e só tinha a música do poeta maravilhoso na minha cabeça: "É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe..." E aí eu me pergunto: Até que ponto vale carregar uma tristeza? Até que ponto vale ser triste?

Não quero que essa postagem tenha um Q de alto-ajuda, odeio alto-ajuda, mas as vezes é bom falar sobre tristezas, ainda mais porque vejo muita beleza na tristeza e isso não é uma ironia.

Algumas vezes somos tristes e não por opção, não acredito que as pessoas são tristes porque querem ou porque precisam de atenção, claro que existem controvérsias, existem pessoas que são realmente tristes por que se decepcionaram, porque perderam pessoas, porque as coisas não aconteceram como esperavam e também as pessoas que fazem isso porque precisam de outras pessoas para uma bajulação ou coisa do tipo. Existem milhões de motivos para que exista a tristeza na vida de alguém, porem, entendi que a tristeza vicia, você se conforta em ser triste e com esse conforto, tudo a sua volta começa a ser cinza, começa a ser feio, todas as pessoas começam a te irritar, a felicidade das pessoas te irrita, o sorriso de alguém te irrita, mas a tristeza passa e não podemos esquecer desse detalhe tão importante. Eu adoro curtir a fossa, adoro chorar no meu travesseiro, ver filmes tristes, chorar no chuveiro, mas ser triste também cansa, como tudo em excesso não é bom, a tristeza não é boa ao exagero, mas diferente da alegria, da felicidade, ser feliz não cansa, não cansa quando você é realmente feliz e quanto mais feliz, mais feliz você quer ser e algumas pessoas tristes, quanto mais triste, mais triste querem ser e vão se afundando num mundo obscuro, vivendo sozinhas, se isolando de uma forma ou de outra. Felicidade é questão de ser, de querer. Tristeza também, mas, como falei acima, a tristeza passa, principalmente se você aceitar que ela vai passar.

Foto do meu instagram, aqui.

sexta-feira, 13 de março de 2015

O que eu vou fazer com a porra da minha vida?

Escrevi e reescrevi esse texto milhões de vezes, não consegui fazer o que as pessoas mais me elogiam na escrita, não consegui transpor todo o meu sentimento e não acho que esse será um dos meus belos textos, as vezes penso que é porque eu não sei exatamente o que é esse sentimento.

Chorei de uma forma que eu não lembrava mais que eu conseguiria. Fiquei triste de uma forma que eu jurei para mim que não aconteceria mais. Me decepcionei da pior maneira possível, acreditei no nada e amei sozinha, me senti o pior dos lixos... E agora me pergunto: O que eu vou fazer da porra da minha vida? Eu sei que não preciso de ninguém para ficar bem ou para ser feliz, não foi a primeira vez, mas posso fazer com que seja a última, posso fazer questão de me fechar e não deixar mais essas coisas acontecerem. Eu decidi mil coisas, coloquei pontos importantíssimos na balança e agora eu não sei mais o que eu posso fazer, poder eu posso, mas o que eu quero. Sei perfeitamente que ninguém nesse mundo tem que pagar pelo erro alheio, ninguém, mas a cada desilusão meu coração nasce mais uma pedra, meu coração está fechado e cansado. Será que eu só preciso de tempo? Sim, eu preciso de muito tempo, nem que seja todo o tempo do mundo e eu acorde quando eu for muito velha (se é que vou viver muito) e estiver com meus gatos, sentada numa cadeira de balanço, talvez aí eu saiba o que eu vou fazer da porra da minha vida.